sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Pingente

Você bem que podia ser um pingente.
Te levaria pendurada no meu peito,
ao alcance das minhas mãos.
Te protegeria do mau tempo, do frio , do sol de verão.
Gostaria de poder ser egoísta e te levar comigo.
Você seria o meu sol, em manhãs de domingo.
A brisa sorridente.
O pulsar de vida em minhas veias!
Mas não posso te privar de viver,
de sorrir seus sorrisos,
de cantar suas próprias canções.
Não posso te privar de sonhar seus sonhos.
Posso guardar na lembrança o teu trajeto,
nessa linda historia da sua vida.
Posso olhar e te acompanhar,
ver a beleza dos anos que passam,
sorrir suas alegrias e consolar suas tristezas.
Neste mar de sentimentos, amor e gratidão.
Sou grata pelo presente da sua vida junto a minha. 

Matejar

Busco incessantemente, não sei onde está.
Ando de um lado para o outro.
Olho mas não vejo,
me olham mas não me enxergam.
Grito calada a dor dos pés.
Ofegante busco alguém,
em meio a multidão que anda freneticamente,
que passa sem enxergar o marejar.
Respiro fundo!
Quase sem ar a porta se fecha.
Olhar estático, tudo envolta desaparece,
é uma tregua momentânea.
Em segundos tudo volta, impossível conter o mar. 

Silêncio

Silêncio, não diga nada.
Não diga o que você pensa sobre nada,
se omita e se turve no rebanho.
Seja mais um boi na boiada,
sem semblante próprio,
sem pensamento próprio.
Nem seu corpo se movimenta por sua própria vontade!
Pois que a vontade é do outro.
Massa cinzenta ressequida.
Dos olhos até as víscera,
nada se move sem o  consentimento alheio.
Teu corpo, tua vida, teus sonhos...ah os sonhos...
Esses são menos que nada.
Que ousadia querer sonhar em meio ao rebanho,
querer olhar para o lado, tirar o antolho.
Silêncio...
Muita gente...
Muita gente de um lado para o outro,
não querem mostrar seus rostos e
oque dirá por trás do rosto.
Escondem as verdades ,
duras e amargas verdades.