Livro pensando na cantareira
O lugar é charmoso e aconchegante.
As mesas são de Madeira clara, um tom meio amendoado, disposta para 4 ou 6 pessoas. Vigas de sustentação no meio do salão e são da mesma cor das mesas . No o teto tbm em vigas . Toda a madeira em tons próximos o que cria um ambiente de muita elegância
Não há paredes de concreto, tudo em vidro para se poder apreciar o grande espetáculo das árvores lá fora. A luz difusa que vem de fora torna o ambiente especialmente envolvente
Na altura que estou vejo a copa das árvores e elas seguem até o horizonte. Vejo os múltiplos tons de verde e suas formas ... não me acostumo nunca , sempre me emociona a natureza.
Sentada em uma mesa de 2 lugares, com apenas um ocupado, vejo as pessoas nas outras mesas. Casais, amigos, famílias. Adoro olhar pessoas!
Do outro lado do salão na minha frente um homem de uns 60 anos, cabelo louro escuro, curto , e desordenado. Com uma rala franja que tenta inutilmente esconder as entradas da calvície
camisa azul escuro fosco, . Na mão esquerda faixas e uma tala no indicador.
O que teria apontado esse pobre homem para ter seu dedo ferido?
É esse tipo de coisa que fico pensando enquanto observo as pessoas.
O vento forte anúncia a chegada de nuvens carregadas.
A chuva forte batendo em todos os vidros me dá uma grande alegria.
Eu sempre fico feliz quando vejo a chuva forte , o vento que balança as árvores. Lembro de qdo eu era criança e imaginava poder voar entre as árvores que se curvam , balançando de uma lado para o outro... sem resistência alguma, vivem com sabedoria o mau tempo.
Penso que a vida tbm tem o mau tempo. Eu vc e todo mundo já viveu um mau tempo.
Eu não soube humildemente me curvar as circunstâncias.
Ter jogo de cintura de balançar de um lado para o outro e sucumbi a força do mau tempo que eu atravessava.
Me manti dura e resistente.
Quebrei no mau tempo.
Fui dura comigo, resisti a mudança.
Não olhei a volta e entrei no buraco.
Escuro e fundo...
Senti toda a fragilidade do carvalho pretensioso.
Não tinha olhos para a sabedoria do bamboo.
Pensava que tinha que ser sempre forte . Pensava ser uma heroína dessas de filme, doce ilusão.
O excesso de trabalho, de preocupação, de atividades, de frustração. O medo, a tristeza, a incerteza, o peso nas costa que antes achava leve me fez ajoelhar.
Me rastejei no solo árido do meu orgulho. Os joelhos sangraram.
Em silêncio engoli o choro.
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