Depois de dormir por 11 horas Carolina se levanta sentindo um bem estar e descansada.Nos últimos dois meses, a vida trouxe alguns desafios. Entre eles a saúde da mãe.
Levantou imaginando que fosse 10:00, olhando para o celular se deu conta que já eram 15:30!
Tinha um compromisso. Foi para o chuveiro, a água quentinha na nuca trazia conforto e aconchego. Ela sentia com toda atenção o barulho do chuveiro e da água que caia. Fechou os olhos , baixou a cabeça e respirou fundo . Jogando o corpo lentamente de um lado para o outro , podia sentir a água quente de ombro a ombro
Se tinha um coisa que Carolina gostava era sentir a água em sua pele . Pensou até em não ir, em ficar quietinha em casa. Era domingo, céu cinza e a temperatura convidava a voltar para cama. Mas não, sair e encontrar pessoas séria melhor do queficar em casa com seus pensamentos sobre tudo o que havia acontecido e os pensamentos sobre coisas que talvez nunca aconteceriam.
Tudo o que Carolina precisava era trocar a roupagem da sua mente. Ir para a rua então, era sim, a melhor opção.
Roupa simples, quente e confortável. Foi a escolha do dia, afinal conforto era tudo o que ela mais precisava. Chegou já na hora dos parabéns basicamente. Na verdade isso foi ótimo. Sentiu um alívio por não ter que ficar muito tempo, seu sorriso não era natural . O assunto era apenas amenidades , as pessoas riam trazendo lembranças de algo do passado.
Logo após ao parabéns a fulga foi imediata!
A vida estava tranquila lá fora. Rua vazia...ela entrou no carro já decidida que não voltaria para casa. Poderia ir comer algo gostoso como uma forma de carinho consigo. Como que se colocar no próprio colo. Anoiteceu rápido para quem acordou no meio da tarde. Dirigindo sem pressa foi para o bairro visinho onde havia mais opções. Passou enfrente a vários comércios e resolveu que na padaria seria ótimo tomar um capuccino. Conseguiu vaga a um quarteirão da padaria. A noite estava fria, subiu o zíper da blusa, saiu do carro e caminhou lentamente pela calçada...sentia-se bem pela escolha, por estar consigo, pelo silêncio. Afinal dentro da sua mente já havia diálogo suficiente.
Carolina Deu graças a Deus por encontrar a padaria quase vazia, com mesas disponíveis.
Sentou-se de costas para o balcão. Olhando para a vidraça podia ver luzes de natal pendurada um dek com duas pessoas corajosas tomando cerveja e os carros que passaram.
Carolina queria ter a sensação de que havia acordado e tomar o café da manhã em um domingo. Era por volta das 18:00 , mas não teve dúvidas entrou decidida a ter a companhia do capuccino e o pão com manteiga na chapa. Assim foi.
Sabores que acariciavam a alma! Silenciosamente comia, com gosto, com prazer , seu coração sorria e pensava...a quanto tempo eu não faço isso?
Sentiu o qto era importante se levar a padaria mais vezes.
Sair sozinha nunca foi um problema, pelo contrário era prazeiroso , porém nós últimos tempos se acostumou a sair acompanhada, percebeu que também era bom.
Mas isso traz uma dependência da presença de outras pessoas para ir e vir. E se tinha uma coisa que Carolina não gostava era de depender.
Aprendeu muito cedo a se virar sozinha. Se vc quer, então vá lá e faça não espere. Essa era uma das frases que ouvia da mãe na adolescência. A mãe que trabalhava pra ajudar no sustento da família tinha pouco tempo para dar atenção e mimar.
Carolina sempre se lembrava, com orgulho de si mesma, a primeira vez que acendeu o fogo do fogão com fósforo e fez a sua fritada de salsicha. Ela já tinha pedido a mãe por duas vezes, para fritar, a mãe pediu pra esperar terminar o trabalho de costura que estava fazendo.
A mãe se assustou quando sentiu o cheiro foi correndo ver . Não brigou , apenas perguntou quem acendeu o fogo... Carolina aos 8 anos respondeu orgulhosa , eu que acendi...ali estava uma criança que faria por si o que fosse preciso.
A mãe sempre soube que não teria que se preocupar muito com ela. Carolzinha era braba, decidida e independente. Gostava de brincar com as outras crianças, porém gostava ainda mais sozinha com seus brinquedos. Carolzinha estava sempre cantarolando canções que ouvia no rádio Jessé, Giliarde, Nelson Gonçalves...Era uma menina magrela , cabelo crespo bem curtinho. Na verdade mais parecia um menino. Tinha sempre um sorriso nos lábios, porém no coração uma grande saudade....
Hoje adulta o sorriso fácil é o mesmo, as dores e saudades foram mudando no decorrer e vida.
Então saboreava o seu pão com manteiga e capuccino, Carolina olhava absorta pela vidraça . era novembro e seu mundo estava em chamas, o que seria da vida dela dali pra frente?
Olhos começara a marejar, o nó na garganta e , respirou fundo algumas vezes, conseguiu conter o mar dentro de si. A padaria começou a ficar lotada rápido. Na mesa do lado sentaram se duas irmãs de idade entre 50 e 55 anos. Barulhentas, o falatório era sbre amigo secreto e seia de natal. As duas eram confusas não se entendiam , a cesta com pacotes pães sacolas guarda-chuva. Pouco espaço para muitos objetos..
Antes que uma delas colocasse o pão no chão Carol ofereceu a cadeira vazia de sua mesa .
As irmãs ficaram felizes, agradeceram e pediram desculpas por atrapalhar a refeição e por tirar o sossego.
Ela só sorriu, não quis dar mais brecha pra conversas.
Logo foi embora o que ela precisava era de silêncio.
Andando a passos lentos, mãos no bolso olhando para o chão, pensava, preciso cuidar da minha mãe, preciso trabalhar, preciso ter calma, preciso de ajuda pra pensar e não sei a quem pedir.
Lágrimas molharam seu rosto, discretamente secou e apertou o passo.
Dentro do carro Carolina se permitiu chorar um pouco o peso estava grande mas o que ela já previa é que teria que engolir o choro ainda por muitos dias.
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