terça-feira, 27 de agosto de 2024

Lais

 O que você podia ver  era uma janela e ela olhava  para o céu e as estrelas como quem estivesse num balcão olhando a noite estrelada admirando cada uma das estrelas... mas na verdade dessa posição que ela podia ver era  apenas quatro ou  cinco estrelas e  um pequeno pedaço de ceu.

Lais nesta noite decidiu sentar a luz de uma vela , olhar para o céu buscando alento. A vela que havia comprado a quase um ano ainda estava na metade. Guardava para os dias tranquilos e aconchegantes.

Neste dia se deu conta que esses dias foram poucos. A vela que estava   em um recipiente de vidro tinha um pavio grosso, uma chama forte e trêmula por conta da brisa suave que entrava pela pequena fresta da janela de vidro. Lá fora a vista era de  um telhado da casa vizinha, a uns 3 metros. Depois um pedacinho de outro telhado e a diante as caixas d'água de outra casa. Ainda do lado esquerdo um pouquinho de um prédio que dividia espaço com o pouco de céu que se podia ver, ou seja , o olhar era grande mas a vista pequena.

Assim era a vida de Lais.

Lais tinha imensa gratidão por estar viva e saudável. Por isso que olhava essa fresta de céu como se estivesse deitada na grama da sua infância , onde podia ver centenas de estrelas , mesmo em noites de lua cheia .

Lais olhava a chama da vela, sua dança suave e a sombra dos objetos na parede. Desde criança essas sombras a encantaram, nasceu artista, via beleza onde outros não viam. A luz d vela talvez fosse o resgate,   à luz da lua cheia que fazia sombra e denunciava onde estavam escondidos os amigos nas brincadeiras de esconde esconde.



Lais nascera no sul do país, lugar de muito frio no inverno Nunca sentiu frio lá, seu coração congelou qdo saiu de lá. Qdo deixou seu primo amor no sul e foi levada ao sudeste .


Para quem nasceu na roça nada mais natural que seu animal de estimação fosse um cabrito. Poderia ser um cavalo ou uma galinha mas não.

Bito era branco e preto, companheiro de todo dia . Todas as manhãs Bito se deitava diante da porta e esperava sua amiga Laís. Quando ela finalmente aparecia Bito se levantava e saia correndo e ia ao encontro daquela menina magrela e sorridente. 

Ela sorria com o coração ao ver seu amigo. Ela o abraçava com quem tivesse uma saudade de meses , isso acontecia todas as  manhãs.

Ali começava a brincadeira de correr e dar trombadas. 

Subiam e desciam dos troncos de árvore caídas no caminho da roça.



Vencida pelo cansaço do dia Laís decide ir pra cama.

Levanta-se dá poltrona, com a tampa do recipiente da vela em mãos abafa a chama . Veja, fogo sem ar apaga. Ela sorri com isso e pensa que forma charmosa de se apagar uma vela.

Então Laís abre a janela coloca a  cabeça para fora , encara o céu e mais algumas estrelas. Se sente privilegiada por ver e ter uma vibração no peito que a faz sorrir sempre diante das estrelas.

Fecha a janela a vai para seu quarto....



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