terça-feira, 27 de agosto de 2024

Bistrô

 Andando pelas rua o intuito era apenas um passeio, uma volta de carro para matar o tempo e distraídas emoções.

Encontrei o melhor lugar pra hj

Um bistrô charmoso na Mooca.

Não tive dúvidas estacionei na porta e entrei com o olhar curioso de sempre.

Por acaso era como eu precisava, tranquilo sem barulho, música suave, poucas pessoas.

Devidamente recebida, escolhi uma mesa próxima a área externa onde entrava uma luz difusa encantadora.

Pequeno apenas seis mesas.

 No ambiente resoava as mais deliciosas musicas francesas, Edit Piaf com alguns interpretes, jazz...e olha só música cigana só instrumental, eles servem paella entao faz total sentido. Nada é por acaso. Eu achei um presente da vida para o dia de  hj.

Sai com a minha saudade em companhia.

 Sai com meu aperto no peito.

Com lágrimas represadas.

E mesmo assim buscando olhar para vida.

Para a beleza de um dia cinza, para o friozinho na pele, para o sol  que não  aquece mas ilumina.

A luz tênue  e amarelada do ambiente traz um delicioso aconchego, mesmo tendo suas paredes, em azul marinho chamuscado de preto. 

A luz difusa da janela vitrine e do fundo com teto aberto faz do ambiente aconchegante e requintado

Nada de comida francesa . Pedi bobó de camarão pra sair da rotina.

E meu Deus, estava divino!


31/05/24






Chuva fina

 E a chuva era tão mansa, fazia barulho no telhado.

A porta da cozinha estava aberta , Marlene podia ver o pequeno telhadinho que protegia a porta, era cinza e tinha telhas onduladas e uma lâmpada pequena com luz suave. Já era tarde da noite. 

A água da chuva escorria nas ondulações do telhado fazendo como se fosse uma cortina de fios prateados. Sabe daquelas de missanga que se usava nos anos 80?

O vento mudava o curso dessa água era encantador aos olho de  Marlene que desde criança adorava ficar olhando a chuva.

Quanto mais forte, com vendaval, raio e trovões mais ela ficava fascinada. 

Sua mãe morria de medo de chuva!  Dizia que era por que quando morava na roça no Paraná , cada vez que chovia tinha goteira na casa toda e se tinha vento forte o medo era de que o vento levasse a casa .

 Casa de pau a pique , casa de madeira e barro... imagino o tamanho do medo...e proteger os filhos...e não deixar molhar as coisas, as poucas roupas que tinham , o colchão de palha de milho...

Marlene via nos olhos da mãe e desespero toda vez que chovia.

Mas ela não! Ela queria sair para o meio do quintal e estar no meio da chuva, olhar de perto o vente envergando as árvores, desde criança via nisso o poder incontrolável da natureza.

Talvez não tivesse medo por que sua mãe a protegeu muito bem.

Não deixou o medo dela virar medo dessa criança. Aos cinco anos mudaram de estado e passaram a morar em uma casa de alvenaria 

Dona Amélia tinha um grande sonho ter a sua casa de tijolos.

Ela sempre ouviu a mãe dizer isso...

Enquanto olhava a chuva caindo ela se  lembrava de quantas broncas e puxões de orelha já tinha levado por chegar em casa toda molhada de chuva quando saia da escola.

Essa lembrança sempre trazia um sorriso. Dona Amélia nunca soube que Marlene andava na enchorrada da rua como quem enfrentava um rio bravo. Pura imaginação de criança.

Com a porta aberta, o vento, o chão da cozinha ficou molhado.

Se minha mãe estivesse aqui eu já iria tomar uma bronca, fechar a porta e secar o chão.

Os olhos de Marlene ficaram marejados e logo lágrimas silenciosas escorreram.

Dona Amélia não estava em casa já a um mês e meio. 

E pensar nisso deu um aperto no peito de Marlene, uma dor física!

Era o dia do aniversário de 81 anos de Dona Amélia e ela não estava em sua tão querida casa de tijolos.

Estava em uma casa de repouso 


08/01/24



sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Pingente

Você bem que podia ser um pingente.
Te levaria pendurada no meu peito,
ao alcance das minhas mãos.
Te protegeria do mau tempo, do frio , do sol de verão.
Gostaria de poder ser egoísta e te levar comigo.
Você seria o meu sol, em manhãs de domingo.
A brisa sorridente.
O pulsar de vida em minhas veias!
Mas não posso te privar de viver,
de sorrir seus sorrisos,
de cantar suas próprias canções.
Não posso te privar de sonhar seus sonhos.
Posso guardar na lembrança o teu trajeto,
nessa linda historia da sua vida.
Posso olhar e te acompanhar,
ver a beleza dos anos que passam,
sorrir suas alegrias e consolar suas tristezas.
Neste mar de sentimentos, amor e gratidão.
Sou grata pelo presente da sua vida junto a minha. 

Matejar

Busco incessantemente, não sei onde está.
Ando de um lado para o outro.
Olho mas não vejo,
me olham mas não me enxergam.
Grito calada a dor dos pés.
Ofegante busco alguém,
em meio a multidão que anda freneticamente,
que passa sem enxergar o marejar.
Respiro fundo!
Quase sem ar a porta se fecha.
Olhar estático, tudo envolta desaparece,
é uma tregua momentânea.
Em segundos tudo volta, impossível conter o mar. 

Silêncio

Silêncio, não diga nada.
Não diga o que você pensa sobre nada,
se omita e se turve no rebanho.
Seja mais um boi na boiada,
sem semblante próprio,
sem pensamento próprio.
Nem seu corpo se movimenta por sua própria vontade!
Pois que a vontade é do outro.
Massa cinzenta ressequida.
Dos olhos até as víscera,
nada se move sem o  consentimento alheio.
Teu corpo, tua vida, teus sonhos...ah os sonhos...
Esses são menos que nada.
Que ousadia querer sonhar em meio ao rebanho,
querer olhar para o lado, tirar o antolho.
Silêncio...
Muita gente...
Muita gente de um lado para o outro,
não querem mostrar seus rostos e
oque dirá por trás do rosto.
Escondem as verdades ,
duras e amargas verdades.

domingo, 2 de abril de 2017

Caminhar


Devo seguir meu caminho com a mesma tranquilidade de sempre.
Os caminhos se cruzam.
Andamos por muitos anos, por muitos caminhos e esses mais dia menos dia se cruzam.
Eu não tenho medo, conheço todos os meus segredos.
Sigo atenta olhando dentro e fora.
Não tremo, não vacilo,simplesmente sigo o fluxo da vida.
Se algo nos acontece é porque estávamos na mesma frequência por algum motivo!ENTÃO QUE ASSIM SEJA!
Caminhar no telhado, é muito mais interessante que no pequeno e quadrado quintal.
De cima e de fora é fácil observar as limitações, do engessado quintal.
De cima dá pra ver o céu mais azul,o horizonte e sua plenitude.
Sem falar da brisa na pele! Essa que me faz arrepiar, também me acaricia.
O que se vê de cima é pura inspiração!
Sabe algo que te enche o peito?
Pois é...e assim é.
Esse caminhar requer equilíbrio. Mas vale apena cada sorriso.

                                                    Gisa Senna

sexta-feira, 31 de março de 2017

Sensações


As vezes não sei muito bem onde estou.
Se estou onde eu gostaria de estar.
Se estou onde já estive.
Se estou onde estou.
Onde estou é quase igual a onde já estive.
Onde eu gostaria de estar já não existe mais.
As sensações se misturam.
Há dias que acordo,sentindo que estou onde eu gostaria de estar.
Nesses dias a claridade entra no meu quarto evem de mansinho me acordar.
Ouço pássaros gorjear e percebo um sorriso largo nos lábios.
Há dias que acordo sentindo que estou onde já estive.
Me sinto perdida e aflita, imediatamente olho em volta para me certificar!
Ainda bem que estou onde estou.
Não gostaria de estar onde estive,pois ainda há feridas.
Quando acordo e sei onde estou, pergunto ao universo: Qual o propósito?
Sim o proposito!
Nada nesta vida é por acaso. Nada!  

                                Gisa Senna

Comigo



Estou sempre em muitos lugares...mas em lugar nenhum.
Estou sempre com muita gente...mas com pessoa alguma.
Difícil entender?
Eu simplesmente me sinto comigo!
Me olho, me vejo, me aceito.
Me entendo , vivo comigo, sorrio das minhas idiotices e devaneios.
Choro minhas dores, revejo conceitos, repenso planos.
Faço mapas para nortear essa complexidade...e sorrio diante do espelho.
                         
                                Gisa Senna

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Janela


Na janela.
Bela, ela era.
A brisa,a noite,a flor do seu nome...aroma que me consome.
O peito cheio de brisa.
Seu cheiro que não me tranqüiliza.
Era vida cheia.
Dos olhos a lua em noite cheia.
Dos passos a sombra na areia.
Do salto, o mato nos pés descalços... era o ato.
Semeia.
Incendeia.
Clareia.
Na areia sua sombra era cheia.
Maré mansa, janela... clareia... clareia.
                                 
                                                                                                       Gisa Senna