terça-feira, 27 de agosto de 2024

Carolina

 Depois de dormir por 11 horas Carolina se levanta sentindo um bem estar e descansada.Nos últimos dois meses,  a vida trouxe alguns desafios.  Entre eles a saúde da  mãe.

Levantou imaginando que fosse 10:00, olhando para o celular se deu conta que já eram 15:30!

Tinha um compromisso. Foi para o chuveiro, a água quentinha na nuca trazia conforto e aconchego. Ela sentia com toda atenção o barulho do chuveiro e da água que caia. Fechou os olhos , baixou a cabeça e respirou fundo . Jogando o corpo lentamente de um lado para o outro , podia sentir a água quente de ombro a ombro 

Se tinha um coisa que Carolina gostava era sentir a água em sua pele . Pensou até em não ir, em ficar quietinha em casa. Era domingo, céu cinza e a temperatura convidava a voltar para cama. Mas não, sair e encontrar pessoas séria melhor do queficar em casa com seus pensamentos sobre tudo o que havia acontecido e os pensamentos sobre coisas que talvez nunca aconteceriam. 

Tudo o que Carolina precisava era trocar a roupagem da sua mente. Ir para a rua então, era sim, a melhor opção. 

Roupa simples, quente e confortável. Foi a escolha do dia, afinal conforto era tudo o que ela mais precisava.  Chegou já na hora dos parabéns basicamente. Na verdade isso foi ótimo. Sentiu um alívio por não ter que ficar muito tempo, seu sorriso não era natural . O assunto era apenas amenidades , as pessoas riam trazendo lembranças de algo do passado. 

Logo após ao parabéns a fulga foi imediata!

A vida estava tranquila lá fora. Rua vazia...ela entrou no carro já decidida que não voltaria para casa. Poderia ir comer algo gostoso como uma forma de carinho consigo. Como que se  colocar no próprio colo.  Anoiteceu rápido para quem acordou no meio da tarde. Dirigindo sem pressa foi para o bairro visinho onde havia mais opções. Passou enfrente a vários comércios e resolveu que na padaria seria ótimo tomar um capuccino. Conseguiu vaga a um quarteirão da padaria. A noite estava fria, subiu o zíper da blusa, saiu do carro e caminhou lentamente pela calçada...sentia-se bem pela escolha, por estar consigo, pelo silêncio. Afinal dentro da sua mente já havia diálogo suficiente.

Carolina Deu graças a Deus por encontrar a padaria quase vazia, com mesas disponíveis. 

Sentou-se de costas para o balcão. Olhando para a vidraça podia ver luzes de natal pendurada um dek com duas pessoas corajosas tomando cerveja e os carros que passaram.

Carolina queria ter a sensação de que havia acordado e tomar o café da manhã em um domingo. Era por volta das 18:00 , mas não teve dúvidas entrou decidida a ter a companhia do  capuccino e o pão com manteiga na chapa. Assim foi.

Sabores que acariciavam a alma! Silenciosamente comia, com gosto, com prazer , seu coração sorria e pensava...a quanto tempo eu não faço isso?

Sentiu o qto era importante se levar a padaria mais vezes.

Sair sozinha nunca foi um problema, pelo contrário era prazeiroso , porém nós últimos tempos se acostumou a sair acompanhada, percebeu que também era bom. 

Mas isso traz uma dependência da presença de outras pessoas para ir e vir. E se tinha uma coisa que Carolina não gostava era de depender. 

Aprendeu muito cedo a se virar sozinha. Se vc quer, então vá lá e faça não espere. Essa era uma das frases que ouvia da mãe na adolescência. A mãe que trabalhava pra ajudar no sustento da família tinha pouco tempo para dar atenção e mimar. 

Carolina sempre se lembrava, com orgulho de si mesma, a primeira vez que acendeu o fogo do fogão com fósforo e fez a sua fritada de salsicha. Ela já tinha pedido a mãe por duas vezes, para fritar, a mãe pediu pra esperar terminar o trabalho de costura que estava fazendo.

A mãe se assustou quando sentiu o cheiro foi correndo ver . Não brigou , apenas perguntou quem acendeu o fogo... Carolina aos 8 anos respondeu orgulhosa , eu que acendi...ali estava uma criança que faria por si o que fosse preciso. 

A mãe sempre soube que não teria que se preocupar muito com ela. Carolzinha era braba, decidida e independente. Gostava de brincar com as outras crianças, porém gostava ainda mais sozinha com seus brinquedos. Carolzinha estava sempre cantarolando canções que ouvia no rádio Jessé, Giliarde, Nelson Gonçalves...Era uma menina magrela , cabelo crespo  bem curtinho. Na verdade mais parecia um menino. Tinha sempre um sorriso nos lábios, porém no coração uma grande saudade....


Hoje adulta o sorriso fácil é o mesmo, as dores e saudades foram mudando no decorrer e vida.

Então saboreava o seu pão com manteiga e capuccino, Carolina olhava absorta pela vidraça .  era novembro e seu mundo estava em chamas, o que seria da vida dela dali pra frente? 

Olhos começara a marejar, o nó na garganta e , respirou fundo algumas vezes, conseguiu conter o mar dentro de si. A padaria começou a ficar lotada rápido. Na mesa do lado sentaram se duas irmãs de idade entre 50 e 55 anos. Barulhentas, o falatório era sbre amigo secreto e seia de natal. As duas eram confusas não se entendiam , a cesta com pacotes pães sacolas guarda-chuva. Pouco espaço para muitos objetos..

Antes que uma delas colocasse o pão no chão Carol ofereceu a cadeira vazia de sua mesa . 

As irmãs ficaram felizes, agradeceram e pediram desculpas por atrapalhar a refeição e por tirar o sossego. 

Ela só sorriu, não quis dar mais brecha pra conversas.

Logo foi embora o que ela precisava era de silêncio.

Andando a passos lentos, mãos no bolso olhando para o chão, pensava, preciso cuidar da minha mãe, preciso trabalhar, preciso ter calma, preciso de ajuda pra pensar e não sei a quem pedir. 

Lágrimas molharam seu rosto, discretamente secou e apertou o passo. 

Dentro do carro Carolina se permitiu chorar um pouco o peso estava grande mas o que ela já previa é que teria que engolir o choro ainda por muitos dias.


Sentimento de nem sei

 A casa estava com aspecto normal.

Os móveis de tamanho normal. Os objetivos em seus devidos lugares.

Parecia até que a casa estava maior. Que tinha mais espaço ente os móveis.

A verdade é que a minha mente estava mais tranquila e organizada.

Ainda tem sentimentos aqui dentro pra organizar , não sei em que departamento colocar. As vezes acho que é tristeza, medo, desespero,raiva ou solidão. Mas não. Não se enquadra. É um sentimento de nem sei. É assim que tenho chamado algo que não sei definir.

Depois da morte da minha mãe me sinto assim , nem sei.

A 3 mesmo atrás tive desespero ao pensar que, o que eu nunca aceitei nem se quer pensar, poderia realmente acontecer. Um dia ela partir.

Chorei e senti a impotência diante da vida . 

Ela estava tão diferente mudando rápido, e eu não queria que fosse verdade. Mas me pus a olhar o que estava acontecendo. Minha mãe, tão frazina, pequena, de caminhar lento e cansado.

Chorei por dias. Chorei com amigos em desabafo. Chorei sozinha... chorei alto na estrada!

De coração apertado eu trabalhava e fazia o que tinha que ser feito.

Os músculos tensos, o maxilar doendo...entre idas e vindas a casa da minha mãe eu comecei a perceber que o caminho era de partida...tive medo! 

Medo de como eu viveria a solidão da ausência dela. Chorei!! Solucei!! Segui fazendo o que tinha que ser feito

A 2 meses atrás, por fim aceitei que cada dia seria menos um dia. 

Eu só queria que ela estivesse bem, que tivesse atenção e cuidados devidos.

A um mês atrás eu me encontrava indo ao médico com ela por conta dor e o inchaço que não passava .

Suplemento para ajudar com o apetite e várias outras coisas.

Meu foco é a mãe. Isso que eu dizia para meus irmãos.

3 , 4 horas de estrada pq o foco era a mãe.

A doze dias atrás foi o seu velório.

A mãe , a minha mãe ficou 17 dias internada.

Eu e meu irmão nós revezamos para não deixar ela sozinha.

Dia e noite ficamos ali para ela não se sentir sozinha nem abandonada.

Fui vendo ela piorar dia após dia.

Qdo voltei para o hospital estava decidida a saber toda a verdade do estado dela.

Meu irmão voltou pra sp pra trabalhar um pouco e eu fiquei com ela. Segurando a sua mão.

As vezes ela ficava com o olhar perdido eu entrava na frente dela e dizia mãe eu tô aqui viu .

Ela ficava inerte , gemia baixo o tempo todo.

As vezes alto , de certo era qdo a dor aumentava.

Eu impotente só podia acariciar, olhar nos olhos e dizer fica calma eu tô aqui, a senhora não tá sozinha.

Eu chorava, mas tentava não deixar ela ver.

Um dia perguntei para o médico, me fala por favor o estado real dela.

Estágio terminal ele respondeu.

Não sabemos qdo mas está próximo.

Meu peito apertou e ali se fez um buraco. A cabeça parecia que ia sair rolando, fiquei tonta e quase vomitei.

Chorei, conversei com o médico sobre tudo o que ia acontecer dali pra frente.

Eu fiquei com ela , acompanhei seus últimos dias. Até o momento que eu entendi que não estava mais ajudando e sim atrapalhando.

Por amor deixa partir, o médico me disse.

Eu cheguei no limite da psiquê, no limite físico. Decidi sair do hospital, 

Qdo decidi isso senti como que se houvesse um corte no meu peito de algo que me ligava a ela. Eu estava prendendo ela , dificultando a passagem.

Eu fiquei fazendo companhia e vendo ela morrendo por amor e lealdade. Não pude mais ficar qdo entendi que eu iria adoecer.

Entendi que aqueles dias tbm eram para que eu pudesse, ver, entender e aceitar o ciclo da vida

Se fosse de uma vez eu nem sei o que seria de mim. Deus em sua sabedoria me permitiu estar com ela viver esses dias e dizer o qto eu aprendi com o exemplo dela , sobre o meu amor e gratidão por poder ser filha dela .

Sei que vou seguir sem ela... 

Agora em casa observando td os meu redor 

As plantas que sobreviveram estavam se recuperando lentamente.

Exceto uma, a maior , a mais importante, a que já vinha de muitas histórias. 

Ela que já tinha perdido suas folhas enorme uma vez, ela que já tinha sofrido com conflitos e mudança.

A cada folha amarela depois de ter trocado toda a terra, 20 kg de terra, era será que ela vai sobreviver.?

Será que esse ciclo tbm vai se encerra?

Será que é só uma renovação das folhas?

Decidi ficar observando e cuidando. Pronta para aceitar o que for. 

Cantareira

 Livro pensando na cantareira 

O lugar é charmoso e aconchegante.

As mesas são de Madeira clara, um tom meio amendoado, disposta   para 4 ou 6 pessoas. Vigas de sustentação no meio do salão e são da mesma cor das mesas . No   o teto tbm em vigas . Toda a madeira em tons próximos o que cria um ambiente de muita elegância 

Não há paredes de concreto, tudo em vidro para se poder apreciar o grande espetáculo das árvores lá fora. A luz difusa que vem de fora torna o ambiente especialmente envolvente

Na altura que estou vejo  a copa das árvores e elas seguem até o horizonte. Vejo os múltiplos tons de verde e suas formas ... não me acostumo nunca , sempre me emociona a natureza.

Sentada em uma mesa de 2 lugares,  com apenas um ocupado, vejo as pessoas nas outras mesas. Casais, amigos, famílias. Adoro olhar pessoas!

Do outro lado do salão na minha frente um homem de uns 60 anos, cabelo louro escuro, curto , e desordenado.  Com uma rala franja que tenta inutilmente esconder as entradas da calvície 

 camisa azul escuro fosco, . Na mão esquerda faixas e uma tala no indicador. 

O que teria apontado esse pobre homem para ter seu dedo ferido?

É esse tipo de coisa que fico pensando enquanto observo as pessoas.

O vento forte anúncia a chegada de nuvens carregadas.

A chuva forte batendo em todos os vidros me dá uma grande alegria.

Eu sempre fico feliz quando vejo a chuva forte , o vento que balança as árvores. Lembro de qdo eu era criança e imaginava poder voar entre as árvores que se curvam , balançando de uma lado para o outro... sem resistência alguma, vivem com sabedoria o mau tempo.

Penso que  a vida tbm tem o mau tempo. Eu vc e todo mundo já viveu um mau tempo.

Eu não soube humildemente me curvar as circunstâncias.

Ter jogo de cintura de balançar de um lado para o outro e sucumbi a força do mau tempo que eu atravessava.

Me manti dura e resistente.

Quebrei no mau tempo.

Fui dura comigo, resisti a mudança.

Não olhei a volta e entrei no buraco.

Escuro e fundo...

Senti toda a fragilidade do carvalho pretensioso. 

Não tinha olhos para a sabedoria do bamboo.

Pensava que tinha que ser sempre forte . Pensava ser uma heroína dessas de filme, doce ilusão.

O excesso de trabalho, de preocupação, de atividades, de frustração. O medo, a tristeza, a incerteza, o peso nas costa que antes achava leve me fez ajoelhar.

Me rastejei no solo árido do meu orgulho. Os joelhos sangraram. 

Em silêncio engoli o choro.


 

Bistrô

 Andando pelas rua o intuito era apenas um passeio, uma volta de carro para matar o tempo e distraídas emoções.

Encontrei o melhor lugar pra hj

Um bistrô charmoso na Mooca.

Não tive dúvidas estacionei na porta e entrei com o olhar curioso de sempre.

Por acaso era como eu precisava, tranquilo sem barulho, música suave, poucas pessoas.

Devidamente recebida, escolhi uma mesa próxima a área externa onde entrava uma luz difusa encantadora.

Pequeno apenas seis mesas.

 No ambiente resoava as mais deliciosas musicas francesas, Edit Piaf com alguns interpretes, jazz...e olha só música cigana só instrumental, eles servem paella entao faz total sentido. Nada é por acaso. Eu achei um presente da vida para o dia de  hj.

Sai com a minha saudade em companhia.

 Sai com meu aperto no peito.

Com lágrimas represadas.

E mesmo assim buscando olhar para vida.

Para a beleza de um dia cinza, para o friozinho na pele, para o sol  que não  aquece mas ilumina.

A luz tênue  e amarelada do ambiente traz um delicioso aconchego, mesmo tendo suas paredes, em azul marinho chamuscado de preto. 

A luz difusa da janela vitrine e do fundo com teto aberto faz do ambiente aconchegante e requintado

Nada de comida francesa . Pedi bobó de camarão pra sair da rotina.

E meu Deus, estava divino!


31/05/24






Chuva fina

 E a chuva era tão mansa, fazia barulho no telhado.

A porta da cozinha estava aberta , Marlene podia ver o pequeno telhadinho que protegia a porta, era cinza e tinha telhas onduladas e uma lâmpada pequena com luz suave. Já era tarde da noite. 

A água da chuva escorria nas ondulações do telhado fazendo como se fosse uma cortina de fios prateados. Sabe daquelas de missanga que se usava nos anos 80?

O vento mudava o curso dessa água era encantador aos olho de  Marlene que desde criança adorava ficar olhando a chuva.

Quanto mais forte, com vendaval, raio e trovões mais ela ficava fascinada. 

Sua mãe morria de medo de chuva!  Dizia que era por que quando morava na roça no Paraná , cada vez que chovia tinha goteira na casa toda e se tinha vento forte o medo era de que o vento levasse a casa .

 Casa de pau a pique , casa de madeira e barro... imagino o tamanho do medo...e proteger os filhos...e não deixar molhar as coisas, as poucas roupas que tinham , o colchão de palha de milho...

Marlene via nos olhos da mãe e desespero toda vez que chovia.

Mas ela não! Ela queria sair para o meio do quintal e estar no meio da chuva, olhar de perto o vente envergando as árvores, desde criança via nisso o poder incontrolável da natureza.

Talvez não tivesse medo por que sua mãe a protegeu muito bem.

Não deixou o medo dela virar medo dessa criança. Aos cinco anos mudaram de estado e passaram a morar em uma casa de alvenaria 

Dona Amélia tinha um grande sonho ter a sua casa de tijolos.

Ela sempre ouviu a mãe dizer isso...

Enquanto olhava a chuva caindo ela se  lembrava de quantas broncas e puxões de orelha já tinha levado por chegar em casa toda molhada de chuva quando saia da escola.

Essa lembrança sempre trazia um sorriso. Dona Amélia nunca soube que Marlene andava na enchorrada da rua como quem enfrentava um rio bravo. Pura imaginação de criança.

Com a porta aberta, o vento, o chão da cozinha ficou molhado.

Se minha mãe estivesse aqui eu já iria tomar uma bronca, fechar a porta e secar o chão.

Os olhos de Marlene ficaram marejados e logo lágrimas silenciosas escorreram.

Dona Amélia não estava em casa já a um mês e meio. 

E pensar nisso deu um aperto no peito de Marlene, uma dor física!

Era o dia do aniversário de 81 anos de Dona Amélia e ela não estava em sua tão querida casa de tijolos.

Estava em uma casa de repouso 


08/01/24



sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Pingente

Você bem que podia ser um pingente.
Te levaria pendurada no meu peito,
ao alcance das minhas mãos.
Te protegeria do mau tempo, do frio , do sol de verão.
Gostaria de poder ser egoísta e te levar comigo.
Você seria o meu sol, em manhãs de domingo.
A brisa sorridente.
O pulsar de vida em minhas veias!
Mas não posso te privar de viver,
de sorrir seus sorrisos,
de cantar suas próprias canções.
Não posso te privar de sonhar seus sonhos.
Posso guardar na lembrança o teu trajeto,
nessa linda historia da sua vida.
Posso olhar e te acompanhar,
ver a beleza dos anos que passam,
sorrir suas alegrias e consolar suas tristezas.
Neste mar de sentimentos, amor e gratidão.
Sou grata pelo presente da sua vida junto a minha. 

Matejar

Busco incessantemente, não sei onde está.
Ando de um lado para o outro.
Olho mas não vejo,
me olham mas não me enxergam.
Grito calada a dor dos pés.
Ofegante busco alguém,
em meio a multidão que anda freneticamente,
que passa sem enxergar o marejar.
Respiro fundo!
Quase sem ar a porta se fecha.
Olhar estático, tudo envolta desaparece,
é uma tregua momentânea.
Em segundos tudo volta, impossível conter o mar. 

Silêncio

Silêncio, não diga nada.
Não diga o que você pensa sobre nada,
se omita e se turve no rebanho.
Seja mais um boi na boiada,
sem semblante próprio,
sem pensamento próprio.
Nem seu corpo se movimenta por sua própria vontade!
Pois que a vontade é do outro.
Massa cinzenta ressequida.
Dos olhos até as víscera,
nada se move sem o  consentimento alheio.
Teu corpo, tua vida, teus sonhos...ah os sonhos...
Esses são menos que nada.
Que ousadia querer sonhar em meio ao rebanho,
querer olhar para o lado, tirar o antolho.
Silêncio...
Muita gente...
Muita gente de um lado para o outro,
não querem mostrar seus rostos e
oque dirá por trás do rosto.
Escondem as verdades ,
duras e amargas verdades.

domingo, 2 de abril de 2017

Caminhar


Devo seguir meu caminho com a mesma tranquilidade de sempre.
Os caminhos se cruzam.
Andamos por muitos anos, por muitos caminhos e esses mais dia menos dia se cruzam.
Eu não tenho medo, conheço todos os meus segredos.
Sigo atenta olhando dentro e fora.
Não tremo, não vacilo,simplesmente sigo o fluxo da vida.
Se algo nos acontece é porque estávamos na mesma frequência por algum motivo!ENTÃO QUE ASSIM SEJA!
Caminhar no telhado, é muito mais interessante que no pequeno e quadrado quintal.
De cima e de fora é fácil observar as limitações, do engessado quintal.
De cima dá pra ver o céu mais azul,o horizonte e sua plenitude.
Sem falar da brisa na pele! Essa que me faz arrepiar, também me acaricia.
O que se vê de cima é pura inspiração!
Sabe algo que te enche o peito?
Pois é...e assim é.
Esse caminhar requer equilíbrio. Mas vale apena cada sorriso.

                                                    Gisa Senna