domingo, 10 de abril de 2011

Recordações

Serei eu sua recordação de amor para sempre?
O amor da infância...
O amor da adolescência...
O amor que foi,  que é, que será... um sentimento  pleno .
Quem sabe uma recordação de um domingo cinza e quieto.
Um dia de tempestade , que a enxurrada leva tudo o que encontra pelo caminho.
A flor que nasce sozinha no canto esquecido do jardim.
A criança que olha o mundo pela janela e tem medo de crescer e perder sua pureza.
È certo que sou o calor das noites de verão, que te faz transpirar e rolar na cama, que te faz perder o sono, perturbado com um só pensamento.
O sangue quente que jorra em tuas veias o faz forte, já não há sentido para o amor de ontem, só há lugar para o que sentes hoje. Sei que não há como esquecer, pois cada gota de tempo é nada diante da necessidade oceânica. Como não recordar do deserto árido, se cada grão de areia é tudo o que se quer reter nas mãos.
Serei mais que a recordação de um domingo cinza, serei a tempestade que acinzenta o céu e te leva na enxurrada de sensações. O arco Iris no final da tarde, quem sabe o pote de ouro.O sol que desponta em um sorriso em meio a um nevoeiro. Nos dias em que teu peito houver apenas gelo, recorde dos  abraços flamejantes.
Se lagrimas molharem seu rosto por saudade, sei que poderá recordar a água quente que toma seu corpo. Sempre haverá recordações.

                                                                                                                                   Gisa Senna

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Desatino


Sonhos e desejos , vontades contidas.
Tudo é sombra sem brisa.
Sufocante , desalento. Já não me lembro a quanto tempo.
Desatino e soluços, lobos que uivam.
Sem lua , sem sol , sem mar, sem ar. Sem nada para fazer! Músculos que querem se mover.
Correr sem destino.Sem caminho.Solto e sozinho.
Para alguns desalinho. Para outros liberdade.
Cordeiro para o sacrifício. Sem vícios.
Suplicas, armadilhas da vida.
Vísceras expostas. Sem peso, sem medida. Sem saída.
Um pranto...
Rebanho de ovelhas no campo.
Tudo está em todo canto.
Onde está a flor?
Renegas a primavera!
Tens a alma triste...
Planta teus pés no solo árido de sua vida.
Consola-te com o  pouco de luz que invade sua retina!
Escombros sem assombro. Dor dilacerante.
Ouro que reluz, sem sentido.
Sem sentido...........
                                                                                 Gisa Senna

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Meu café


Hoje fiz café!
É café! O café mais demorado da minha vida!!!
Minha pequena cafeteira italiana , bom pó...de repente sinto algo!
Nem pude acreditar!
 Meu corpo estremeceu , foi  tomada por um repentino calor.
Fique zonza ...tentei novamente fazer o café!
  Afinal era só colocar o pó , a água e levar ao fogo.
Sinto novamente ser puxada , apertada...meu corpo gira pela cozinha!
 Me encosto na parede , já não vejo a cafeteira...apenas sinto meu corpo ser levantado , vejo lábios e olhos que me dizem : deixe o café pra depois !
 Me sinto  girar ! A cozinha gira!
Meu corpo vai de um lado para o outro , me  apoio na pia , minhas pernas bambeiam!
Me mantenho de pé , nem me lembro do tal café !!!
Olho pra cafeteira ,  que me olha assustada!
 Meu riso é largo!
Resolvo tomar um banho.
 Quem sabe depois do banho consigo fazer o café!
Retorno a cozinha começo a abrir a cafeteira  , sinto na nuca , ombro , algo que me percorre as costas...desisto imediatamente do café ...sei que meu corpo vai girar , se levantar, pernas vão tremer...me debruço na mesa...penso que é melhor me deitar...
O quarto gira mais que a cozinha!O meu corpo é movimentado mais freneticamente!
Enlouqueço , transpiro , viro e reviro minha cama . Vejo lábios e olhos , que me  dizem : ti quero !!!
Já não tenho mais forças ...e vou novamente ao chuveiro...água  quente ...abraça meu corpo...que alegria!
Por fim fiz o café , meu melhor café......Como é bom fazer café!
Como é bom seu aroma  , seu sabor , ainda posso sentir ...
                                                                                                                                                 Gisa Senna